Prefácio

Blogue dedicado ao surrealismo, com particular destaque para o movimento literário português.

O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido primariamente em Paris dos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo, reunindo artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo e posteriormente expandido para outros países. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na actividade criativa. Os seus representantes mais conhecidos são Max Ernst, René Magritte e Salvador Dalí no campo das artes plásticas, André Breton na literatura e Luis Buñuel no cinema.

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dois poemas de Roberbo Piva

foi no dia 31 de dezembro de 1961 que te compreendi Jorge de Lima

enquanto eu caminhava pelas praças agitadas pela melancolia presente

na minha memória devorada pelo azul

eu soube decifrar os teus jogos noturnos

indisfarçável entre as flores

uníssonos em tua cabeça de prata e plantas ampliadas

como teus olhos crescem na paisagem Jorge de Lima e como tua boca

palpita nos bulevares oxidados pela névoa

uma constelação de cinza esboroa-se na contemplação inconsútil

de tua túnica

e um milhão de vagalumes trazendo estranhas tatuagens no ventre

se despedaçam contra os ninhos da Eternidade

é neste momento de fermento e agonia que te invoco grande alucinado

querido e estranho professor do Caos sabendo que teu nome deve

estar como uma talismã nos lábios de todos os meninos

[Jorge de Lima, panfletário do Caos; Paranóia (1963), de Roberto Piva]











Nos gramados regulares do parque Ibirapuera

Um anjo da Solidão pousa indeciso sobre meus ombros

A noite traz a lua cheia e teus poemas, Mário de Andrade, regam minha

imaginação

Para além do parque teu retrato em meu quarto sorri

para a banalidade dos móveis

Teus versos rebentam na noite como um potente batuque

fermentado na rua Lopes Chaves

Por detrás de cada pedra

Por detrás de cada homem

Por detrás de cada sombra

O vento traz-me o teu rosto

Que novo pensamento, que sonho sai de tua fronte noturna?

É noite. E tudo é noite.

É noite nos pára-lamas dos carros

É noite nas pedras

É noite nos teus poemas, Mário!

Onde anda agora a tua voz?

Onde exercitas os músculos da tua alma, agora?

Aviões iluminados dividem a noite em dois pedaços

Eu apalpo teu livro onde as estrelas se refletem

como numa lagoa

É impossível que não haja nenhum poema teu

escondido e adormecido no fundo deste parque

Olho para os adolescentes que enchem o gramado

de bicicletas e risos

Eu te imagino perguntando a eles:

onde fica o pavilhão da Bahia?

qual é o preço do amendoim?

é você meu girassol?

A noite é interminável e os barcos de aluguel

fundem-se no olhar tranqüilo dos peixes

Agora, Mário, enquanto os anjos adormecem devo

seguir contigo de mãos dadas noite adiante

Não só o desespero estrangula nossa impaciência

Também nossos passos embebem as noite de calafrios

Não pares nunca meu querido capitão-loucura

Quero que a Paulicéia voe por cima das árvores

suspensa em teu ritmo

[No Parque Ibirapuera, Paranóia (1963), de Roberto Piva]

4 comentários:

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

...È você meu girassol?
Soberba poesia. O mundo deveria ter mais poetas, como seria fácil viver!
marthacorreaonlie.blogspot.com

Martinha disse...

Duas personalidades muito bem destacados nos poemas. Gostei :) *

Rosa Brava disse...

Dois eus que se sobrepõem?


"...é você meu girassol?
A noite é interminável
e os barcos de aluguel
fundem-se no olhar tranqüilo
dos peixes..."


Grata pela partilha
;)

ana maria costa disse...

Fantástica poesia.