Prefácio

Blogue dedicado ao surrealismo, com particular destaque para o movimento literário português.

O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido primariamente em Paris dos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo, reunindo artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo e posteriormente expandido para outros países. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na actividade criativa. Os seus representantes mais conhecidos são Max Ernst, René Magritte e Salvador Dalí no campo das artes plásticas, André Breton na literatura e Luis Buñuel no cinema.

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cocktail bukowski


Naquele dia
Vestira o meu corpo
Sem a alma,
Vestira o meu corpo
Sem a alegria,
Lavei os dentes
E esqueci do sorriso no lavatório,
Lavei as mãos
E deixei o tacto na toalha;
Nesse dia
Após o trabalho fui dormir,
Deitei o corpo
E reecontrei a alma.
No dia seguinte
Vesti a alma
E deixei metade do corpo esquecido
E a memória no secador de cabelo...
E algo inesquecível de que não me lembro aconteceu:
Porque hoje tenho a alma mutilada
E nem o corpo tenho.


Tiago Nené, jovem poeta do Algarve.

14 comentários:

ana maria costa disse...

fantástico!

Lis disse...

A perda assim escrita parece maior.

trutasalmonada disse...

a perda é sempre maior...assim fica mais vestida ou despida

ff

sp disse...

Gostei muito do poema e especialmente de "E deixei metade do corpo esquecido
E a memória no secador de cabelo..."

Parabéns também pelo blogue.

Um abraço.

Martinha disse...

Corpo e alma completam-se, e quando uma das partes falha... Uma parte de nós fica incompleta.
Gostei! :) *

Graça Pires disse...

O corpo e a alma reinventados na palavra do poeta. Gostei muito. Um abraço.

Bill Stein Husenbar disse...

Excelente. Ainda bem que há um espaço dedicado ao Surrealismo e ainda por cima de valor. Gostei de aqui passar e fica prometido que voltarei mais vezes para apreciar e opinar.

Ainda bem que há corpo e alma, senão não existeria dilemas.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

Sérgio Figueiredo disse...

palavras e poema...a combinação perfeita.
corpo e alma...sempre vestidos um com o outro.

excelente e maravilhosa a sabedoria de trabalhar as palavras.

parabéns

espelho sem reflexo disse...

Daqueles poemas inebriantes que nos fazem vesti-los, de corpo e alma.

Um abraço,

fs

Cândida disse...

assim assim
:)

Táxi Pluvioso disse...

Já escrevi um post de loas ao maior intelectual do Algarve e Portugal, juntos: Zezé camarinha. Ver aqui.

Purrealismo disse...

Poeticamente interessante, direi como todos, lindo. Realmente presente, surrealmente inexistente...

"Porque a couve, também respira no anzol. Ao passo que Sol, nem sempre houve"

Sílvia disse...

Por vezes passamos pela vida como se de um corpo apenas se tratasse… e ainda assim, raramente temos consciência de tal facto!

Alma, metade do corpo, ausência de memória… dava jeito, mas a memória raramente nos larga! E há dias, meses e até anos, infelizmente, em que sentimos “a alma mutilada” e ausência de corpo…

Sintagma in Blue disse...

Espidos de nós mesmos.

(coma dicimos en Galicia: "bicos").